quarta-feira, 30 de outubro de 2013




Função soneca, estamos cegos e sem muletas

E é simples assim
E a gente come a mesma coisa no café, pra tentar mudar o dia
Pra enfrentar de frente o que vier
E não é fácil estar a par do que acontece aqui
E o ônibus não passa, e o nosso tempo ainda nem começou

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quinta feira

Não parece mas há muito tempo atrás era só eu. 
Antes das noites em claro, das verdades e mentiras, antes das bebidas... era apenas eu com o mundo me encarando de frente, aquele nó no estomago, aquela ansia infinita por viver tudo ao mesmo tempo e de uma vez. Quanto mais jovem maior a vontade de experimentar o mundo e antes de hoje eu tinha isso, o frio na barriga, o mundo e eu.. só isso.
Sentada na frente do computador digitando essa sopa de letrinhas tenho a impressão de que foi há um milhão de anos todas as primeiras coisas. O primeiro segredo, o primeiro amigo, o primeiro beijo, a primeira casa, o primeiro cigarro, o primeiro porre, mas isso não faz tanto tempo assim porque faz pouco mais de uma década (se bem me lembro) onde tudo o que existia era eu e a vontade de ter todos esses primeiros. Aqui estou, todo esse tempo depois digitando do meu antigo quarto, o lugar onde me criei e é como entrar em uma máquina do tempo com paredes rabiscadas e papéis de bala no chão.

É tão engraçado estar de volta, depois de tantos anos me vejo parada encarando tudo que um dia foi tão meu, tudo o que quis proteger e não era mais meu. São memórias emprestadas de uma garota diferente e que agora volta a ser tudo aquilo que jurou não querer mais pra si. A periferia tem esse ar de nostalgia, o conjunto habitacional, as crianças correndo pela rua com suas pipas no ar, como se os anos não tivessem passado. Tudo igual aos anos em que estive aqui.
Foram bons momentos, maus momentos, foram anos da minha vida que não posso apagar e nem gostaria porque provavelmente faria tudo igual e o doce continuaria doce, e o que doeu doeria de novo, tudo seria exatamente como é e me traria aqui de novo no olho do furacão de emoções.

Antes dos sorrisos, das primeiras e segundas vezes era apenas eu encarando a vida... acho que sinto falta de olhar tudo como se fosse novidade, porque viver já não é tão novo assim. Vai ser, mas não é mais porque vivi rápido demais. Jovens e a sua sede insaciável por novidades, por vida! Acaba sempre se afogando num mar de emoções que nem sabe de onde vem ou pra onde vai, só quer que vá, então as coisas acabam indo porque tem que ir, porque nós fazemos acontecer mas quando o hoje chega (e ele sempre chega) desejamos secretamente que tivessem ido mais devagar afinal, a vida é tão longa e temos todo o tempo do mundo para fazer com que as coisas aconteçam, não é necessário tanta pressa.

Antes de estarmos onde estamos era apenas o que voce costumava ser, sem máscaras e responsabilidades, apenas você do jeito que costumava ser. Um dia você vai voltar ao início porque a vida é assim, um ano pra frente e dois meses pra trás.
Entenda como quiser.

sábado, 15 de junho de 2013

010413

Se eu estivesse em um filme seria a coadjuvante do lado mau, aquela que nunca tem forças para ser a antagonista mas não pode ser do time dos bonzinhos.
Sempre existe uma personagem que erra e acerta mas ninguém está interessado nela e essa sou eu, a quer atenção mas nunca conseguirá porque não é forte ou carismática o suficiente para isso.



Existem os mocinhos, os bonzinhos, os antagonistas, os malvados e os outros.
Os outros são aqueles que namoram os bonzinhos mas no fim da história não ficam com eles porque não seria o final feliz. A moça que faz cagadas, pede perdão e nunca é perdoada porque ninguém a julga merecedora de perdão; o cara que comete o erro comum mas paga por eles com a severidade mais real possível; a moça que é traída e, apesar de não ter errado, não é digna de pena porque esse término resultará na felicidade dos mocinhos. Essa sou eu.
Em todo o filme alguém fica sozinho e ninguém se importa porque você não se lembra do nome dele, a existencia dele serve apenas para que o bonzinho enfrente uma dificuldade antes de encontrar o seu "e viveram felizes para sempre", todos sabem que ele existiu e que foi (ou pode ter sido) fundamental para a história se desenrolar mas ele não ganhou um final feliz para sempre. Na verdade você não sabe qual foi o final dele e, caso saiba, não se lembra mas ele esteve ali.
Essa sou eu, a personagem que merece perdão mas todos se encarregam de inventar uma desculpa para não perdoa-la porque isso atrapalharia os mocinhos, os bandidos e todo o resto.

Sempre existe alguém que perdoa os erros de quase todo mundo mas nunca é perdoado, sempre tem alguém que é o coadjuvante indiferente, alguém tem que fazer esse papel. Alguém tem que estar ali, atrapalhando os planos dos outros para que no fim eles tenham o seu "feliz para sempre" e mesmo que ninguém queira ser, não tem jeito. Você é o que tem que ser e não o que quer ser, o mocinho de coração ruim nunca será amado como o vilão de coração bom, ninguém nunca arranjará desculpas para que ele seja absolvido.
Algumas pessoas tem a torcida a seu favor e outras, bem, outras apenas fazem o que tem que fazer.

domingo, 26 de maio de 2013

(E estive preso no espelho tanto tempo que nem sei bem, e mais cem anos, seis meses, três dias, tudo bem... tanto faz)

sábado, 25 de maio de 2013

09120352

O mundo rejeita pessoas como nós, como eu e como você.


Desde que nasci o mundo não me deseja, ao longo desses vinte e tantos anos tudo o que conheci foi rejeição vinda de todos os lados e durante algum tempo até mesmo de mim. Diariamente sou engolida e vomitada pela vida sem nenhum tipo de compaixão ou justificativa, isso incomoda de uma maneira que só quem já viveu assim pode entender. É doloroso, exaustivo e  desumano.
Por muito tempo tentei me adequar para ser aceita, participei de todos os joguinhos estúpidos que os outros fazem (e voce sabe que fazem) mas mesmo assim, não houve resultado. Resolvi viver de uma maneira diferente, à margem disso, simplesmente não me adequar e continuei sem resultados positivos ou negativos, tudo continuava exatamente da mesma forma.
Por um ou dois pares de anos sofri a dor de ser vomitada dia a dia pelo mundo e por todas pessoas que vivem nele, até que um dia cheguei a uma conclusão desagradável...
Algumas pessoas nasceram pra viver à margem do mundo. Nem todo mundo nasceu pra ser aceito, querido, bonito e cheiroso; nem todo mundo vai poder ser o que quiser e ser feliz dessa forma e isso porque pro bem existir o mal precisa existir também, logo, pra alguém estar feliz alguém tem que estar infeliz em algum lugar. O seu sofrimento é a felicidade do outro e não, não há nada que voce possa fazer.
Veja bem, voce está fodido triste por não ter um emprego e outra pessoa também, mas só há uma vaga, se ela conseguir voce continuará na merda até arrumar outra vaga e se conseguir vai deixar outra pessoa infeliz. É assim que a vida funciona, o problema é que pra cada pessoa que tem uma "sorte" (vamos chamar assim) fora do comum existe eu, existe você e nós temos um "azar" fora do comum. É tudo questão de estatística.
O que significa que não importa o quanto voce tente se adequar, o mundo não te quer e vai te rejeitar sempre...

Rejeição machuca.
Ninguém é solidário, ninguém se interessa por nada disso por isso não superestime as pessoas nem o que elas podem te oferecer. As vezes nascemos pra viver assim,





"O mundo me engole e me cospe porque sabe que eu não devo fazer bem. Na verdade é tão normal, não é nada demais."

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

232011

Eu me sinto de volta à dezembro de 2008, como se uma máquina do tempo me levasse de volta à tudo aquilo que eu supostamente deixei para trás. Engraçado como fechamos os olhos, desejamos que tudo fique bem, colocamos um sapato novo e fingimos que nossos pés nunca passaram por uma estrada que nos machucou. Achamos que esquecer é resolver da maneira que parecer melhor e seguir em frente. O problema é que novos sapatos só escondem velhas feridas e cedo ou tarde elas irão se abrir novamente porque você caminhou demais; vai doer, vai te fazer lembrar como as coisas podem ficar ainda mais difíceis e mais complicadas do que ja estão porque o novo caminho tem tantas pedras quanto o outro. Sapato nenhum vai fazer tudo melhorar, as feridas, o sangue, as lágrimas estarão lá e isso só faz parecer estúpido você ter seguido em frente sabendo que isso ia acontecer.
E então, o que fazer agora? Pés novos nunca foram uma opção e trocar os sapatos já foi provado que não vai funcionar...

Parece que estamos de volta à estaca zero, nada mudou tanto quanto parecia, cigarros, solidão e desespero por não encontrar algo que mude tudo isso..
Minha avó me dizia que a vida é assim mesmo, durante a sua infância e a sua adolescência você vai colecionando valores como balões de hélio e quando algum aspecto da sua vida não está bem a pior coisa a se fazer é se concentrar nele e tentar recuperá-lo porque isso vai fazer com que todos os outros balões escapem tambem até suas mãos estarem vazias; uma vez de mãos vazias você terá que começar novamente, por isso o segredo está em não se desesperar e manter o que você ainda tem.
Nunca tive tempo de perguntar à ela como recomeçar quando se está de mãos vazias, porque era assim que me sentia em dezembro de 2008 e da mesma forma me sinto hoje. Vejo tudo desmoranando lentamente e não faço idéia de como intervir, na verdade eu intervi, só não deu certo e agora não sei mais o que fazer, só posso dizer que voltei pra tudo aquilo que tentei afastar de mim por não me fazer nada bem.
As noites em claro, a falta de fome, a vontade de fazer nada, as dores de cabeça.. ah, as dores de cabeça! Eu não senti falta delas nem por um segundo, aliás, de tudo acho que foi o que não desejava que voltasse. Lembro de ter medo de ir no médio e descobrir que era algo mais sério que uma enxaqueca, nunca fui pra saber, seis meses depois de tudo ela passou (assim como todo o resto) e eu me senti aliviada e comecei do zero com um novo emprego e novas paixões mas agora é diferente. Tudo está de volta mas eu já não tenho a certeza de que vai passar ou de que desejo que passe, só quero uma boa noite de sono e silêncio; toda esse incomodo pode ficar aonde está, eu não me importo mais com ele e mesmo que me importasse já não teria tanta certeza de que tudo iria embora como da outra vez.




"And I don't blame you, you've had enough with all these empty promises and countless bluffs
I know you can't hold out forever, waiting on a diamond and a tether from a girl who won't jump. When she's falls in love, she just stands with his toes on the edge... And she waits for it to disappear again." (Death Cab For Cutie)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Na tarde de sábado, estava eu assustadamente dentro do amor (eu não acreditava mais que o amor existisse, e a vida desmentia). Só porque era sábado, porque estava indo embora, porque as malas restavam sem fazer e o telefone tocava sem parar...



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