terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

7760

Não aguento mais essa sensação de insatisfação. Nada fica bom, nada de bom acontece, nada de nada de nada. E é um saco estar insatisfeita com qualquer coisa (que voce não sabe o que é) mas deixa tudo ruim.
Não aguento mais vomitar todos os dias o dia inteiro. Vomito meu café da manhã, meu almoço, minha janta, meus desejos, minhas inseguranças.. vomito minha realidade todos os dias e não aguento mais esse gosto de azedo que já não sai de mim.
Queria querer sair de casa, ver a rua, tomar alguma coisa. Não quero. O mundo lá fora é desconfortável demais pra mim e cada vez fica pior, sinto vontade de chorar cada vez que preciso sair.




"Ah meu amor, este suor enfermo
Blasfema meu erro, de faca em punho
Clareio teu rosto, te faço meu sonho
Pra que entre eu e tu não existam segredos

E se te peço perdão, é porque te amo
E se te marco meu nome é porque te venero
A tua beleza, teu calor eterno
Salva este coração mundano

Ah meu amor, me faz oceano
Pra que dissolva em ti meu choro profano
Por ter cometido o pior dos enganos

Hoje sei, sem você amor, não sou vida,
Sou dor, amargura, vazio e ferida
Salva este coração mundano."

sábado, 7 de dezembro de 2013

Parte 0

Era uma vez uma menina que não tinha nome, filha de ninguém, 20 e tantos anos. Não fazia nada, não gostava de se ocupar com qualquer coisa que garotas de 20 e poucos anos gostavam, não ia aos lugares que outras pessoas da sua idade frequentavam, não procurava por atenção desesperada como pessoas fazem. Não tinha o frescor da juventude e sua aparencia muitas vezes enganava quem não a conhecia, as vezes parecia infantil, as vezes parecia velha. Difícil dizer se era bela ou atraente, afastava olhares, repudiava o desejo que qualquer um pudesse vir à demonstrar.
Vou chamá-la de Sofia, significa sonho e para mim é o que ela significa. Um sonho, uma coisa desvairada e selvagem, olhos de predador, atitude silenciosa, caráter duvidoso disfarçada de gente comum.
Sofia gostava de ler, imaginava cada personagem como um ser real e não se sentia mal com nenhum deles pois eram reais e irreais ao mesmo tempo, eram reais até que o livro se fechasse e pudesse voltar à sua vida de sempre onde não se preocupava com o depois e não pensava em nada a não ser o que seria da humanidade. Ria. Era difícil gostar de pessoas de carne e osso, elas são previsíveis e cansativas, vendidas, trocam qualquer integridade por moedas, fazem atrocidades por altos salários e status; malditas. Odiava todas e as amava ao mesmo tempo, eram nojentas, sujas e incrivelmente fascinantes mas gostava de observar, de preferencia de longe.
O relógio apontava as horas, 14h27, ainda não tinha nada no estomago a não ser dois copos de água gelada e meio litro de café preto. Detestava comer. O ato de cozinhar e ingerir o que quer que fosse a deixava desesperada, triste, comer era necessário e ela não gostava de coisas necessárias pelo simples fato de que tinha que faze-las mesmo que não quisesse. Isso era ter a impressão de que era como todos os outros mas desde que se entende por gente sabe que não faz parte "dos outros", e nunca deixaram com que ela se esquecesse disso. 
Filha de ninguém, nunca foi e nem seria amparada por qualquer pessoa. Ela não tinha raízes e gente assim aprende muito cedo a ficar na companhia de si mesmo, e ela gostava. Via uma beleza sagrada na solidão e chorava as vezes pois era lindo, e bem, as vez vezes por se sentir só, mas nunca se envergonhou por nada disso. Era incompreensível a necessidade do ser humano de se envergonhar, como se envergonhar por ser o que se é? Complicado.

Mas sempre encontrava consolo quando pensava no todo, no Universo, na existencia. Nenhum deles queria mas ela era parte do todo, não era humana, não era gente mas era parte da gente.
Ah, Sofia.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

5918

As horas passam. Impossível não imaginar o tic tac de um relógio dentro da minha cabeça, não me lembro se antes ele estava aqui mas agora é quase impossível não notar o barulho que ele faz, como se quisesse explodir minha mente em milhões de pedacinhos. Vrum...
O relógio marca 03h59 da manhã mas na verdade não sei que horas são porque os dias são todos iguais. Levantar, deitar, dormir (ou não), reclamar de algo aleatório, ter conversas vazias e sem sentido, reclamar da vida, pensar no mundo e tentar expulsar todas essas coisas de dentro de mim. Deitar. Levantar. Diariamente.

Comecei um livro novo e gostei bastante, ele me faz rir. Retirei algumas pessoas da minha vida, acho que não me farão falta porque não tem utilidade alguma, estar com elas é como deitar e levantar: automático. Também tomei coca cola, acho que ela é a causa da dor que senti no estomago ontem mas tudo bem, é um prazer, achei que fosse vomitar e morrer, achei que fosse desmaiar de dor mas nada disso aconteceu, então a cafeína continua a ser um prazer. No mais foi tudo como sempre, tudo como devia ser.
Acho que fiz um novo amigo e isso é surpreendente, estamos em tempos difíceis (a coisa e eu) e em tempos assim fica difícil ter vontade de falar com alguém, mas é com ele é diferente e sempre um prazer. Gosto dele. Gosto de não me sentir tão só. Em tempos difíceis a solidão pode ser um grande problema pois ela não vai e também não me deixa ir, como se fosse um imã ela me puxa pra perto dela o tempo inteiro, eu só não consigo resistir. 
Acreditem, a solidão pode ser bem atraente.
Tenho dormido mal, o sono não vem e quando dá as caras sempre traz algum sonho perturbador, li que acontece em casos de depressão mas prefiro pensar que é o que acontece quando dormimos mal demais. Não aceito intromissões. 

As horas continuam correndo, gosh, hoje estão voando, quase não percebo os minutos e penso que meu relógio está errado (risos, talvez o biológico). A vontade de sair de casa diminui, o receio em encontrar pessoas some e a vontade de alcool aumenta gradativamente, acho que ando bebendo demais e devia melhorar. É possível que daí venham as dores estomacais, mas não ligo, é sempre um prazer e seria melhor se pudesse faze-lo o tempo inteiro (beber e não sentir dores, durd), contudo, pensar me consome muito, todos os meus dias são ocupados por essa imensa vontade de saber o que é do que foi e como será. Cansativo, improdutivo, preguiçoso.
Tem dias que ser diferente é um pé no cu.

Alguns minutos se passaram. Deitar. Levantar.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

0013


Aqui dentro sou tão igual e todos conseguem ser igualmente diferentes de mim. Mas afinal, não é assim que as coisas são lá fora?
(As vozes insistem em me culpar. As mesmas vozes que me apontavam o caminho da estrada. As mesmas vozes que apontam o dedo pra zombar do meu fracasso. Cubro os ouvidos mesmo sabendo que não posso me proteger de mim mesmo)
Se ao menos eu pudesse ficar alerta...
Por onde andei? Quem me chama? Onde estou? Quando foi a última vez que comi ou disse alguma palavra? Me pergunto se as coisas teriam sido diferentes se eu tivesse lhe mutilado, dando vazão à minha raiva.
Mas será? Estas fendas deveriam estar em teu corpo e não no meu.
Mas será? Uma vez livre, tudo será do meu jeito.
Mas será! Fugir não vai ser minha melhor opção.
No lugar de conversa, temos um refluxo de ódio e palavras não ditas.

Finjo estar pior para não atrair atenção e poder ter paz.
Os dias demoram a passar, mas correm tanto que não consigo acompanhar.
(As horas não valem nada. Sei que é dia quando me avisam. Sei que é tarde quando me avisam. E a noite, quando chega, já me encontra quase inconsciente.
Parece tão irreal. Me chamam de uma maneira que eu quase não entenderia mais. Como ele reagiria aqui dentro? Como você reagiria?)
Onde errei? Onde erramos? Onde estás?
Uma morte indolor e plácida não seria justa para você. Não vou ser seu mártir.
Se um dia lhe chamei de mau, tenha certeza que me tornei maniqueísta por opção.
A incompatibilidade de gênios não foi capaz de preservar nosso tratado de não agressão.
A sujeira que corrompe. Ofusca o brilho. Glorifica a dor.

As vozes nunca estão satisfeitas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Maré viva

Você já sentiu vontade de desaparecer?
Não de morrer ou ir embora, desaparecer. Ver cada pedaço seu apagando como a imagem mal cuidada de uma fotografia vai sumindo com o tempo, vai deixando de existir bem devagarinho e depois parece que nunca esteve lá.

Era o início dos anos dois mil quando me senti assim pela primeira vez. Não me lembro da data, nem do que comi aquele dia, não sei qual roupa eu vestia mas me lembro muito bem da sensação e era dolorida. Ainda é.
Lembro de chorar por dentro, de tentar expulsar aquilo da minha cabeça, de querer afastar aquela coisa do meu coração. Lembro do vazio, de me sentir mais só do que nunca e não compreender o motivo. Eu era tão jovem... como pode?
Não precisei de muito tempo para perceber que eu sempre seria só e que a aquela coisa nunca iria embora, enquanto eu existir isso vai acontecer e eu não vou conseguir me esconder, não terei pra onde fugir, a coisa vai vir e vai me engolir viva. E eu vou morrer um pouco por causa disso porque a coisa vai tirando partes de mim e nunca para, nunca acaba, nunca me deixa ir. É uma coisa no coração, na cabeça, no estomago e ela é viva e respira, eu posso sentir ela chegando sutilmente e tomando tudo o que existe em mim.
Com o passar dos anos eu aprendi a conviver com a coisa, aprendi a esconder do mundo que ela está aqui e vez ou outra me toma mas ela nunca deixou de doer. Aprendi a mentir dizendo que não é nada demais, aprendi a deixa-la quieta no canto dela, a não me incomodar quando ela vem e estou cansada demais pra ir contra.
"Nada, ta tudo bem." 
"É só uma dor de cabeça."
"Eu ando um pouco cansada, deve ser o calor ele sempre me cansa"
Tá tudo bem, tá tudo sempre muito bem mas é mentira porque eu soube muito tempo que a coisa não iria embora e ninguém entenderia. Chorei. Implorei. Barganhei. Faz de conta que esse aqui é o meu castelo e um dia eu derrotarei o dragão com a minha espada mágica, vou viver feliz pra sempre, vou escrever "FIM" em letras garrafais e celebrar o dia da minha liberdade. E aí eu acordo e ela vem só pra mostrar que manda em tudo aqui tanto quanto eu, porque ela sou eu e eu sou ela. Se uma desaparece a outra morre mas ela não quer morrer e nem eu.

Você já sentiu vontade de desaparecer?
Eu já. Pena que ela não.
Ela pensa, ela respira e vai te engolir.

Postagem 633



Eu não tenho muita certeza do que acontece por aqui, sei que o tempo esfria e esquenta sem critério porque ele pode fazer o que quer quando quer e nós não. Também não sei se quero saber como as coisas estão indo pois é certo que não vou mudar minha direção.
Não disse não quero, não disse não posso... não vou e reconheço.
Acho nocivo esse faz-tudo-mas-não-faz-nada porque te ocupa o corpo mas escraviza a mente com pensamentos desnecessários; ou talvez essa seja eu querendo dar sentido à coisas que não tem sentido algum, vai saber. 
O fato é que a crise dos 20 e poucos anos tá batendo na porta e eu não quero abrir mas ela vai entrar nem que seja pela janela, porque não dá pra se esconder de algumas coisas e essa é uma delas. E não vai te deixar trabalhar, não vai te deixar pensar, você vai parar de respirar e tudo vai girar em torno do fato de que sua cabeça parece quebrada e tá tudo errado porque não era pra ser assim, era pra ser daquele jeito lá que a gente imaginava quando tinha dez anos.

Fiz uma pausa. Fumei um cigarro, pensei em como me sinto mas não veio nada. Eu só tô cansada de não dormir, de comer mal, de viver de qualquer jeito; eu tô presa, andando em círculos, me viciando no todo o dia que eu não queria pra mim e eu não sei sair, não consigo ver como a gente pode ser tudo mas não consegue ser nada e a dor é excruciante.
É a merda que cai em você sem aviso e permissão.
Mas que droga, a gente só quer dormir.



"Por seis meses eu não conseguia dormir.
Com insônia nada é real."

quarta-feira, 30 de outubro de 2013




Função soneca, estamos cegos e sem muletas

E é simples assim
E a gente come a mesma coisa no café, pra tentar mudar o dia
Pra enfrentar de frente o que vier
E não é fácil estar a par do que acontece aqui
E o ônibus não passa, e o nosso tempo ainda nem começou